Produtores de micro, pequenas e médias empresas do setor alimentício orgânico têm afirmado que a procura por alimentos mais saudáveis aumentou em tempos de pandemia da Covid-19, compras estas diretas, via serviços de entrega, feiras e supermercados.

O Brasil e o mundo passam por uma situação quase inimaginável: a necessidade do isolamento social. Órgãos de saúde pública pedem veementemente para as pessoas não saírem de casa – nem para o trabalho, se possível. A maioria dos setores teve de parar ou restringir sua produção e vendas, empresas entram em situações financeiras problemáticas. Os únicos setores não controlados e não afetados diretamente foram o farmacêutico e o alimentício.

Em meio a uma crise econômica, um destaque interessante: quem produz alimentos orgânicos tem notado uma alta significativa em sua demanda, em sua maioria na região Sudeste do país. E enquanto todos reduzem a velocidade, o setor orgânico se mantem ativo. “Há uma maior procura pois em momentos de crise, marcas que de fato conquistaram a confiança de seus clientes e consumidores possuem uma força a mais nesta questão”, diz Luiz Dematte, diretor da Korin.

Relatos de empresas como Korin, Fazenda da Toca e Yamaguishi, afirmam que o crescimento está acima do normal e buscam alternativas para se manter frente à situação, respeitando a saúde dos trabalhadores. Há aumento forte na demanda de produtos frescos, delivery a domicílio e até pedidos de merenda escolar, com kit para 15 dias.

Mas há uma dificuldade: a entrega. São tantos pedidos que a logística começa a dificultar, mesmo com a produção conseguindo absorver o aumento repentino. Alguns grupos criaram filas de espera e estão tendo de inovar para solucionar essa questão. Outras entregam somente aquilo que conseguem e não prometem mais.

Este é o caso do sistema “drive thru” adotado em Campinas, onde as filas para entrega nas feiras agroecológicas são feitas dentro do carro.

Ainda foi necessário aumento de terras, produtores, fornecedores e uma superação na parte logística em todas as regiões do país. Mas o recado é: as pessoas estão se cuidando em casa e sabem que a alimentação orgânica pode ajudar. Na medida em que cessaram as refeições em restaurantes e nas indústrias, e serviços de alimentação cortaram as suas demandas, uma adaptação a esta nova realidade para quem somente explorava estes segmentos se faz necessária.

Não sabemos o que está por vir, mas uma coisa é certa: os orgânicos continuam fortes e o IBD continua trabalhando!