Muita gente pergunta sobre a testagem para Covid19, feita na comunidade em Botucatu. Como os números e resultados são divulgados dia a dia, é difícil se ter uma ideia do conjunto. Na avaliação do médico Luiz Caldas Jr, no mês de agosto foram colhidos pouco mais de 1000 exames por semana (cerca de 150 por dia), com uma positividade média de 12%.

A coleta de exames é organizada pela Central Covid e realizado pelo Hospital das Clínicas da FMB. “Trata-se do melhor teste para detecção do vírus no organismo”, comenta.

Dados foram compilados pelo Prof. Vieira e por Caldas Jr a partir dos boletins diários da Secretaria Municipal de Saúde.


E como a covid-19 anda pelo mundo?

Na última sexta-feira (21/08) o Brasil completou 14 semanas com registros de MAIS DE 1000 mortes diárias por coronavírus. Naquele dia passávamos 113.000 mortes, equivalentes a 533 óbitos para cada milhão de habitantes. Apenas de 1º a 21/08 o número cresceu 21,2% no País.

SÃO 14 SEMANAS DE PERSISTENTES E AGONIANTES TAXAS DE MORTALIDADE. Dentre as maiores do mundo. E as pessoas se indagando: QUANDO ISSO VAI PARAR? E O TAL DO “PICO” DA PANDEMIA, JÁ CHEGAMOS?

Vamos pois observar alguns dados coletados por mim e pelo Vieira, pelo mundo afora. Observe a tabela e os gráficos. E vamos a alguns comentários…

CHINA: Em janeiro de 2020 o mundo foi surpreendido pela notícia de uma nova virose que atingia a população da CHINA, particularmente em Wuhan. As notícias davam conta da alta capacidade de transmissão e mortes. Muito se perguntaram por que em apenas 10 dias se construiu um hospital de 1000 leitos naquela cidade. Outros se assombravam diante da notícia de que a província fora fechada e as pessoas postas em isolamento radical em suas casas. Após a subida, um platô (estabilidade), descenso e, em cerca de 3 meses a vida voltava ao “normal” (início de abril).

BRASIL E EUA: Muitos países e governantes se prepararam para enfrentar a doença. Em outros (como o BRASIL) se preferiu dizer que a doença era uma “gripezinha” como outra qualquer, para qual havia tratamento eficaz e barato, este foi também o caso dos ESTADOS UNIDOS. Lá como aqui, o Presidente negou a necessidade do ISOLAMENTO SOCIAL apostando numa droga que tudo resolveria: a CLOROQUINA.

Passados 8 meses, nossos países ainda disputam com os EUA o maior número de mortes diárias por Covid-19. Entre abril e maio, foram 93.243 óbitos nos EUA, o que dá uma média diária “simples” de 1.554 pessoas. No Brasil, entre 22/6 e 21/8, morreram 62.087, com média 1035 óbitos ao dia. Se calcularmos por 1 milhão de habitantes, teríamos: EUA 4,7 e no Brasil 4,9. Pelo menos nisso, nos igualamos aos EUA!

Observe que enquanto no Brasil há um platô de alta mortalidade há 14 semanas, nos EUA depois do “pico” em abril houve uma certa queda mas as coisas ainda estão bem feias por lá, depois que muitos estados abandonaram o Isolamento, precipitadamente.

A ÍNDIA é outro exemplo negativo. Com uma ascensão que se acelera (aumentou em 50% o número de mortes nos primeiros 21 dias de agosto!). Era um dos países dado como exemplo do ‘SUCESSO DA CLOROQUINA”! Em abril, Bolsonaro chegou a fazer uma “teleconferência com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para tratar do assunto Hidroxicloroquina. (coitados dos indianos e de nós).

Na EUROPA, os governos locais vacilaram diante da Pandemia. Uma exemplo funesto foi dado pelo prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que apoiou a campanha “Milão não para”, poucas semanas antes daquelas horrendas cenas de caminhões militares transportando dezenas caixões pelas ruas (e os brasileiros horrorizados diante de 500 mortes de italianos ao dia!). Medidas radicais de Isolamento Social foram tomadas na ITÁLIA, ESPANHA,
REINO UNIDO, FRANÇA, ALEMANHA e outros. E a “curva da pandemia” decaiu abruptamente em poucas semanas (veja nos gráficos europeus o que é verdadeiramente um “pico” de casos). Veja que agora, em agosto a ocorrência de óbitos é extremamente baixa (a exceção da ESPANHA onde houve um novo assenso, embora discreto.

Por fim, as nossas AMÉRICAS! O PERU entre os RECORDISTAS MUNDIAIS DE MORTALIDADE por 1 milhão de habitantes. Como o BRASIL e o MÉXICO, vê se arrastarem ALTAS TAXAS DE MORTALIDADE, há 2 ou 3 meses.

O CANADÁ, ao contrário, embora vizinho dos EUA, tomou severas medidas sanitárias e conseguiu debelar a Pandemia, ao estilo europeu.

Outro exemplo de sucesso, foi dado por CUBA. País de intenso turismo europeu, teve seus primeiros casos no início de abril, tomando também severas medidas de controle, como fechamento das fronteiras aéreas, ISOLAMENTO SOCIAL e isolamento ABSOLUTO de suspeitos e comunicantes. O resultado foi a reabertura, ainda em julho, do turismo para europeus, principalmente, sob rigorosas medidas de vigilância epidemiológica.

Cada número e gráfico merece uma observação criteriosa. Mas uma conclusão é óbvia: AS COISAS NÃO ESTÃO NADA BEM PARA OS LADOS DO BRASIL (como de alguns outros países).