Férias, verão, praia, viagem de carro ou moto. Essa é uma combinação que a Power Racing News desta semana comenta e orienta, da melhor forma possível, o que fazer para se ter uma viagem tranquila e sem imprevistos com seu carro ou moto. Falaremos também sobre a volta do DeLorean, o lendário carro americano, estrela da épica trilogia “De Volta para o Futuro”, estrelado por Michael J Fox (Marty McFly) e Christopher Lloyd (Dr. Warren Brown).

Férias: cuidados com seu carro para a segurança sua e de sua familia
Janeiro no Brasil é sinônimo de férias, calor e viagens com a família e/ou amigos.  É fato que, muitas vezes, carros novos não aguentam uma viagem de Botucatu, São Manuel até a Baixada Santista no litoral paulista. São apenas 320 km. 

Estive no litoral neste final de semana, no sábado (07), mais precisamente em Praia Grande, onde fui buscar meus filhos para trazê-los a São Manuel passar uma temporada comigo e o que pude presenciar, e isso venho vendo desde que morei em Praia Grande, de 2008 a 2012, que carros com 1 a 4, 5 anos de uso não “aguentam” a puxada e sempre quebram nas rodovias Anchieta ou Imigrantes. 

Na rodovia Anchieta, sempre há um congestionamento ou lentidão à partir do KM 23 sentido Litoral até o início da descida da serra. E no sentido contrário, na subida da serra, devido ao excesso de caminhões.

Na rodovia dos Imigrantes, a lentidão se inicia antes do pedágio e também no início da descida. Muitas vezes essa lentidão se estende por toda a descida. Na subida pela Imigrantes sempre há lentidão, dificultando a vida do motorista. Mas, a mais pura verdade é que a maioria dos motoristas só lembram que deveriam levar seu carro para uma revisão depois que ele quebra na estrada. Isso mesmo, inúmeros são os carros que quebram nas duas rodovias que dão acesso à Baixada Santista por falta de manutenção.

Prova disso é que a ECOVIAS, concessionária que administra as duas rodovias divulgou uma estatística de que deverá guinchar em média, 110 carros por dia, durante janeiro. Isso dá um total de aproximadamente 3410 carros durante os 31 dias do mês. Nessa média não figuram outros tipos de veículos, como vans e caminhões. Esse números são baseados nas ocorrências somente nos primeiros 8 dias do mês.

Voltando ao assunto revisão, temos que nos conscientizar que, por mais caro, mais novo e moderno que seja nosso carro, ele não passa de uma máquina, que com o passar
dos dias vem se tornando cada vez mais frágil e com isso requer cuidados intensos.

Até o ano de 1995, os carros eram equipados somente com ignição eletrônica (que substituiu o sistema de bobina e platinado) e em alguns modelos já tínhamos direção hidráulica (sempre os mais pesados e luxuosos) e injeção de combustível monoponto, ou o carburador eletrônico, que era praticamente a mesma coisa. E com a injeção, chegaram as bombas eletrônicas de alta pressão de combustível e seus filtros.

Em 1996, já se iniciou a era da “eletrônica embarcada”, com carros equipados com injeção multiponto (um bico injetor por cilindro), computador de bordo, sonda lambda (sonda instalada no escapamento para medir através dos gazes expelidos a mistura do combustível e assim proporcionar a mistura correta e econômica), diversos sensores que faziam diversas medições para o computador de bordo e para a central eletrônica e, em carros mais caros e importados, freios ABS (que em caso de uma frenagem brusca ou de emergência, distribuem eletronicamente a pressão da frenagem, não bloqueando as 4 rodas e assim, mantendo o carro em sua trajetória.).

A evolução não parou por aí, sendo que desde 2001 carros de marcas como Peugeot, Renault, Citröen, Lexus, Mercedes-Benz, Honda, Toyota e outros, já vinham equipados de fábrica com AIR BAGS (bolsas de lona anti sufocamento que se inflam em fração de milésimos de segundos, em caso de colisão frontal, “diagolateral” (ângulo de impacto entre 30 a 50 graus) ou traseira para proteger a coluna cervical e a face do motorista e passageiro).

O grande problema dessa evolução, que em termos de segurança, dirigibilidade, eficiência motora é excepcional, é o fato de que a maioria dos componentes hoje usados nos veículos, como sensores, injetores e outras partes, são de polietileno, ou para quem desejar, o bom e velho plástico, que na maioria das vezes, é reciclado, portanto, mais fraco que quando de sua primeira injeção térmica (processo de moldagem).

Com isso, se deixamos de fazer periodicamente revisões preventivas, como troca de óleo e filtros, substituição das velas (sim, elas ainda existem em seu carro), troca dos cabos que ligam as bobinas de ignição às velas (para cada vela se tem uma bobina, ou uma bobina dupla para cada duas velas. Isso depende da marca e modelo do carro), verificação eletrônica das cargas emitidas pelas bobinas, dos sensores, atuadores e demais componentes que extraem dados do motor.

Existe uma cultura no Brasil de que, se você tem um carro com poucos KM rodados, é sinal que ele está novo e não precisa de revisões. Ou se você usa seu carro somente nos finais de semana ou em viagens, também não precisa de revisões. Quem pensa assim, está fadado a ter sua viagem abreviada por quebra do carro.

Isso mesmo: qualquer veículo parado, se deteriora mais rápido que um veículo em movimento, em uso diário. Isso se dá pois o motor, hoje na maioria dos modelos feito de alumínio ou de uma liga de aço, necessita de lubrificação constante em sua totalidade e somente com ele em movimento, aquecendo no nível determinado pela montadora, que chamamos de “temperatura de serviço”, atinge essa lubrificação total. E esse processo serve para outros componentes como os rolamentos que fazem com que as rodas, polias, etc., girem livremente, sistema de geração de energia elétrica (alternador), motor de partida, compressor do sistema de ar condicionado, sistema de direção hidráulica (que precisa circular o óleo sob pressão por todo o sistema), sistema de freios, entre outros.

Já o carro parado, a tendência é a de que toda a lubrificação, todos fluidos se depositem abaixo dos seus reservatórios, fazendo com que todos os sistemas fiquem secos em sua parte superior. Com isso, quando vamos usar esse veículo, damos a partida e todo o sistema “vira a seco” até a lubrificação se estabilizar. Com isso sempre há um desgaste prematuro e possíveis danos em peças importantes principalmente do motor. E sem menos importância, com o carro parado, a borracha dos pneus tendem a ressecar e o risco de surgimento de bolhas nas bandas laterais e de estouro quando aquecidos em uma viagem é grande.

Curiosamente, subi a rodovia dos Imigrantes no sábado, por volta das 14 h., e contei, em aproximadamente 40 KM, que compreende todo o trecho entre o início da subida pelos túneis até o trecho onde se inicia o chamado “planalto”, 18 carros quebrados, todos eles fabricados entre 2013 a 2017. Inclusive uma TUCSON, ano 2016, placas de São Paulo, que quebrou na faixa da esquerda bem no meio do túnel 11 da subida.

Me desculpem se sou radical às vezes, mas eu classifico isso como desleixo e não falta de cuidado ou até um esquecimento.

Não darei um exemplo, mas narrarei um fato o qual fui protagonista: em janeiro de 2004 fiz uma viagem de São Paulo a Foz do Iguaçu, seguindo o seguinte roteiro: São Paulo/SP -> Curitiba/PR -> Francisco Beltrão/PR -> Marmeleiro/PR -> Foz do Iguaçu/PR -> Ponta Grossa/PR -> Paranapanema/SP -> São Paulo/SP.

Foram quase 4000 KM em uma semana, de segunda a domingo onde somente eu dirigi, viajando 4 adultos e uma criança (eu, minha hoje ex esposa, ex sogra, uma tia e meu filho Guilherme, então com quase dois anos). Como bom motorista e homem prevenido, mandei fazer uma revisão total em meu carro, onde foram substituídos amortecedores traseiros, 4 pneus (os meus estavam meia vida mas optei por substituí-los por segurança e escolhi o melhor deles para substituir também o estepe), troca de óleo e filtro, filtro de ar e filtro de combustível, troca de velas e checagem geral nos freios e na parte eletrônica. Conferi as ferramentas obrigatórias, como macaco, chave de roda, triângulo de sinalização e na época, extintor de incêndio dentro da validade.

Minha viagem foi extremamente tranquila, gostosa, alegre. Fui parar, no sábado 17/01 daquele ano, aniversário da minha hoje ex, na Usina de Itaipu e nas Cataratas do Iguaçu, onde fizemos os passeios, e de onde saí, as 18 h., rumo a São Paulo, onde morava. Só abastecia, conferia os níveis de água e óleo e regulava os pneus. Chegamos todos muito bem no domingo, por volta das 14 h., pois passamos  noite em um hotel em Ponta Grossa/PR, de onde saímos as 9 da manhã.

Meu carro? Ah sim, meu carro: na época era aquele Renault Clio RT 1.6, o chamado “Maradona”, por ser montado na Argentina. E tinha, no dia da viagem, “só” 130.000 KM rodados.

Sim, me chamem de louco, insano, em levar minha família para tão longe, por estradas de pista simples, muitas vezes perigosas, em um carro com 7 anos de uso e com 130.000 KM rodados. Como eu sempre digo, se as manutenções estão sempre em dia, está tudo novo e revisado, até com uma Kombi 1973 (a qual meu pai teve uma) eu iria.

Não basta confiar no carro somente pelo seu ano ou estado externo de conservação. Para se confiar em um carro hoje, e vou até mais longe, em qualquer veículo ou máquina, precisa-se ter plena certeza de que houve um profissional competente que a revisou e atestou de que a confiança pode ser total. Podemos ver descendo a rodovia Anchieta, rumo o Porto de Santos muitos caminhões com mais de 10, 15 anos de uso, carregando muitas toneladas. E fazem esse trecho de subida e descida quase que diariamente.

Já pude ver até os lendários FNM, anos 1963, 1965, roncando serra abaixo e serra acima. Sem falar nos Mercedes-Benz “cara chata” 1953, e nos Scania 111S “jacaré” 1973. Todos conservados, revisados e prontos para o trabalho.

Se você for daqueles que não costuma ser cuidadoso com a manutenção de seu carro e tem a coragem de viajar com sua família, colocando sua vida e a vida de todos em risco, aconselho a alugar um carro, pois assim teremos a certeza de que esse carro alugado foi totalmente revisado e se por ventura quebrar durante a viagem, a responsabilidade não será sua e sim da locadora.

E o mais importante: lembre-se de que você terá vidas dentro do carro sob sua responsabilidade, além de vidas em outros carros as quais você também terá responsabilidade sob elas. Então, dirija com cautela, com calma e principalmente, com a responsabilidade em preservar vidas e de certeza de retorno.

Volta triunfante do americano DeLorean

Os fãs do esportivo americano DeLorean DMC-12, fabricado nos anos de 1981 e 1982 pela De Lorean Motor Company, ficaram felizes em saber que ele voltará a ser fabricado. Graças ao programa “Low Volume Motor Vehicle Manufacturers Act” (que liberou a produção anual limitada de veículos cujas especificações não estão de acordo com as regulamentações atuais impostas pelo Governo dos EUA e financiado por empresas privadas e em parte pelo governo dos EUA como incentivo para manter viva a história automobilística do país.), aprovado em 2015, a empresa já começou a aceitar os pedidos, com previsão de início de produção do esportivo ainda este ano.

O Delorean deverá sofrer alguma reestilização, mas acreditamos que não irá perder sua principal característica, a qual lhe imortalizou: suas linhas retas com terminações quadradas, as portas estilo “gaivota”, (lançadas em 1952 pelo Mercedes W194, que ganhou as 24 Horas de Le Mans, em La Sarthe, em 1952 e logo em seguida equiparam a Mercedes 300SL “Gullwing” à partir de 1954, sendo esse último considerado em seu ano de lançamento o carro de rua mais rápido do mundo) e sua carroceria composta exclusivamente em aço inox.   

Essas reestilizações deverão ser aplicadas principalmente na dianteira e traseira, sempre acompanhando as linhas originais. Mesmo porque, se o novo DeLorean sofrer mudanças bruscas em suas linhas, ele praticamente sofrerá as imposições da regulamentação automobilística vigente nos EUA, sendo excluído do programa “Low Volume Motor Vehicle Manufacturers Act”.

Mas um ponto que deverá receber melhorias é o conjunto motor/câmbio. Apesar do DeLorean original ser considerado um carro esporte, seu motor PRV V6 (sigla de Peugeot, Renault e Volvo, que criaram a Companhia Francesa de Mecânica e fabricaram motores para diversos modelos das 3 marcas e para outras montadoras) gera apenas 132 CV de potência, a um torque de 22,9 kgf-m (kilograma força por metro cúbico), potência essa hoje atingida facilmente por modelos brasileiros como o Ford Focus Hatch, Peugeot 3008, e ultrapassada por modelos como Renault Fluence, Renault Sandero RS (com seus incríveis 190 CV), Honda Civic, Toyota Corola, etc.
 
O DeLorean pesa “pesados” 1.230 kg e pode vir equipado com câmbio manual ou automático: o manual com 5 marchas e o automático com só 3 marchas. Atingia a máxima de 160 KM/H (99 mph) e consumia 9 km/l na estrada e 6 km/l na cidade. Levava até 396 lt de “carga” em seu compartimento de bagagem. 

Difícil ser um esportivo, andar com um esportivo, onde a relação peso/potência fala o contrário. Mas, conhecendo bem o atual conceito de “carro esportivo” desenvolvido e amplamente aplicado pela engenharia americana no FORD Mustang e nos GM Camaro e Corvette, podemos nos surpreender com o novo DeLorean principalmente no que diz respeito à potência. Até arrisco afirmar que poderemos ter mais uma criação Edelbrock equipando o novo DeLorean.

Só nos resta torcer para que seja mais um carro que nos encha os olhos e aguce nossos mais profundos e escondidos desejos de tê-lo na garagem. E torcer, mais ainda, para que sejam produzidos dentro da cota anual a ser definida e que sobrem unidades para o mercado brasileiro.

Fale conosco, estamos esperando sua sugestão sobre matérias, críticas e comentários. Você, amigo leitor, é nosso principal combustível. Esta coluna é feita para você. Nosso e-mail à sua disposição 24 horas, 7 dias por semana é [email protected]

Uma boa semana, automaníacos. Até a próxima.

“Ou acelero, ou acelero. Depois da largada, a única coisa a fazer é acelerar fundo e tentar terminar inteiro. Não há volta. Aqui se separam os fracos dos fortes.”       Antoine Rizkallah Kanaan Filho, ou Tonny Kanaan, o bom baiano, piloto brasileiro da Indy, Campeão em 2004 na F-Indy, antes da largada das 500 Milhas de Indianápolis, em 2013, onde venceu a prova, pilotando pela pequena nas eficiente equipe KV Sport, escrevendo seu nome na imortal história do automobilismo mundial, faturando mais de US$ 2.000.000,00 em premiação e ganhando o cobiçado anel de ouro maciço dos campeões das 500 Milhas de Indianápolis.

 

Reinaldo dos Santos Filho mora em São Manuel/SP, tem 48 anos, é Administrador de Empresas, Escritor, piloto profissional e motociclista. Pai do Thiago Augusto, Luís Guilherme e Giovanna.