Nossa história regional da música raiz caipira tem o ponto de Partida em 1929:
Tietê: Dali, Cornélio Pires o pai da música raiz caipira, lança a Turma Caipira e grava o primeiro disco com a dupla de irmãos Caçula e Mariano, o primeiro pai do maestro Caçulinha do Programa Domingão do Faustão por muitos anos;
Itapetininga de Teddy Vieira, que fez a música Menino da Porteira, Rei do Gado, Boiadeiro Errante;
Paranapanema nos deu Dino Franco, da dupla com Mouraí e com Biá, músicas: Amargurado que se tornou um fenômeno nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho, Cheiro de Relva, Nelore Valente, Caboclo na cidade…
Lençóis Paulista de Palmeira, grande produtor e da dupla Palmeira e Biá, também Lençóis de Ely Silva e Zé Goiano;
Barra Bonita nos deu Belmonte da icônica dupla Belmonte e Amaraí de Saudade de Minha Terra e tudo que cantaram apesar da morte prematura de Belmonte, foi sucesso.
Piracicaba – fecha esse perímetro na nossa Capital Caipira que tem até dialeto próprio, o “Cai-Pira”, referência dos maiores cururueiros da história, incluindo o Pelé do Cururu Negrinho Parafuso, eternizado por Tião Carreiro, que aliás, tudo que tocava virava ouro, foi o Rei Midas da música raiz;
E no miolo como diz o caipira, o cérebro desse corpo rico da nossa identidade cultural, da nossa marca “Caipira”, estão: Botucatu como cidade mãe, aí vem Raul Torres, Serrinha, Angelino de Oliveira, estes, os precursores, alguns de um passado mais próximo como Botu e Catu, Trio Gente Gente, Cândio e Candioto e muitos outros que alegravam os domingos no programa Sertão em Festa do saudoso radialista Zé do Laço, mas temos também os contemporâneos, Ramiro Viola e Pardini, Billy e Bene, João Vitor e Gabriel, Osni Ribeiro, a grande karoline Violeira, e na literatura se apresenta nesse contexto com altíssima relevância o escritor botucatuense Sérgio Santa Rosa, autor do livro “Prosa de Cantador”, assemelho esse feito com “Parceiros do Rio Bonito” de Antônio Cândido, Santa Rosa imortaliza em sua obra nossos eternos improvisadores Sebastião Roque, João Davi, os irmãos Horácio e Jonáta Neto, Luizinho Rosa, Nhô Serra, Pedro Chiquito, Manezinho Moreira, Zico Bozoni e tantos outros canturiões das noites festivas dos Pousos de Divino como diz a música Negrinho Parafuso.
São Manuel e Pratânia de Tonico e Tinoco e Pedro Bento e Zé da Estrada que dispensam, comentários pela grandeza de suas obras;
Pardinho – A Capital da Música Raiz pelo Projeto de Lei Estadual 398/2005, cenário da maior moda de viola de todos os tempos “Ferreirinha” do baluarte Carreirinho, nascido em Bofete com o nome civil de Adauto Ezequiel e que se criou em Pardinho, o Festival de Música Raiz (FESMURP) que se transformou na maior referência de premiação para violeiros iniciantes e compositores, tudo gestado pela Rádio Comunitária Paixão FM pioneira do estado de São Paulo, com o saudoso Rivaldo Corulli (Maninho), que daí nasce também a Casa dos Caipiras com a rádio web caipira número Um em audiência no Brasil somando mais de 1 milhão de acessos/ano, e que já alcançou mais de 50 países matando saudades dos brasileiros no estrangeiro através das músicas, Pardinho dos compositores João Caboclo e de Zé Procópio, da Orquestra Caipiras da Cuesta, da Caravana de Violeiros de Pardinho, Jovens Catireiros, Grupo de São Gonçalo e, da nossa derradeira e mais exitosa conquista: o Museu Tião Carreiro, onde abriga amparado por políticas públicas todo acervo acumulado durante a carreira do Rei do Pagode;
Bofete – onde nasceu Carreirinho, dentre suas marcas: Ferreirinha, Anna Rosa, Morte do Carreiro, Canoeiro, Boi Soberano, e com a música “Rincão da Minha Terra” homenageou seu berço Natal.
A música raiz e a cultura caipira estão em estado de graça, o Memorial da Música Caipira inaugurado hoje em Botucatu, nos dá mais sentido de pertencimento, nos reforça como referência no Brasil como sempre asseveraram Inezita Barroso, Moraes Sarmento, Lima Duarte, Rolando Boldrim e Zé Bettio em seus veículos emissores de música raiz.
Essa ideia do Memorial foi lançada pelo então Prefeito Mario Pardini em 2018, no palco montado ao lado Igrejinha de Anna Rosa, por ocasião do 1° Festival Anna Rosa de Música Raiz, quando a Casa dos Caipiras (Sérgio Vieira e saudoso Chico Almeida) foi convidada por Nenê Bueno, Aristeu Gonçalves pai do Jânio da AAB, Moacir Bernardes e Ismael Pontes para produzir o evento e trazer a sua Caravana de Violeiros na grande disputa da premiação e troféus, e hoje, esse espaço se torna realidade com o Prefeito Fabio Leite através da Secretaria de Turismo com a incansável Roberta Leme Sogayar à frente, reforçando assim o Cinturão Caipira do Estado de São Paulo, juntando-se a Bofete com a Sala Carreirinho, Pratânia com o Museu Tonico e Tinoco e Pardinho com o acervo Tião Carreiro resguardado e exposto no Centro no Centro Max Feffer.
Que os políticos pujantes da nossa região com o Deputado Federal João Cury, Mario Pardini, os novos prefeitos: Fábio Leite de Botucatu, Cristiano Camargo de Pardinho, este esteve presente nessa inauguração com uma comitiva de autoridades, Carlinhos do Carmo de Bofete, Baixinho de São Manuel, Osmir de Pratânia, Rodolfo de Paranapanema e outros que estamos visitando, continuem empreendendo através de políticas públicas e investimentos na nossa tão honrosa identidade cultural caipira.
O evento de inauguração foi lindo, fizeram uso da palavra as autoridades presentes com abertura de Roberta Sogayar que agradeceu todos os envolvidos no projeto. Viva a Cultura Caipira da nossa Cuesta Paulista! Casa dos Caipiras! Presente.
Por Sérgio Vieira da Casa dos Caipiras – Pardinho-SP.






