Professores da rede estadual paralisaram as aulas em Botucatu na manhã desta quarta-feira (15).

A situação foi relatada na Escola Sophia Gabriel do bairro Cohab 1. De 9 educadores, 8 não deram aula e cerca de 300 alunos voltaram para a casa. 

Um carro de som pela manhã já anunciava a paralisação aos moradores do bairro. 

A Diretoria de Ensino não confirmou ainda a situação das demais escolas. Havia na praça ainda professores de outras unidades como do 24 de Maio.

Para o professor Raul Albornoz, essa movimentação é um reflexo ca conscientização do povo. “O povo está se conscientizando de que a coisa não tem que ser resolvida de maneira vertical e sim de maneira horizontal. A classe intelectual do Brasil, que está sofrendo com esse governo, está percebendo que sem a mobilização popular, as coisas vão continuar sendo prejudiciais para o povo. Deve haver uma discussão ampla, a previdência deve ser estudada e discutida com uma participação geral dos sindicatos e trabalhadores. A mudança deve ser baseada no povo, pois é ele que sofre e escolhe a classe política que o representa e não apenas como uma ordem que venha de cima para baixo, com os políticos se aproveitando da ingenuidade do povo..”

Raul ainda vai além na crítica à reforma da previdência. “Alguma coisa tem que ser feita sim, pois hoje as empresas privadas estão devendo trilhões para a Previdência, que tem um rombo de 60 bilhões de reais. Cadê esse dinheiro? Hoje estudos revelam que em 5 anos a Previdência Privada teve um superávit de 600 bilhões, cadê esse dinheiro? Vamos pensar no futuro”.

“A reforma que está sendo proposta prevê que uma pessoa deve trabalhar 41 anos seguidos para conseguir aposentadoria integral. E quem garante que você vai trabalhar todos esses anos seguidos? A situação se torna complicada do ponto de vista intelectual, porque o indivíduo que começa a trabalhar depois dos 16 anos se capitaliza, a mentalidade é capitalista, fica feliz em ganhar mil reais e deixa de estudar, então o analfabetismo vai continuar no Brasil. A mudança tem sim que ser feita, mas não sacrificando o povo”, finaliza Raul.

A paralisação

O dia 15 de março foi escolhido por centrais sindicais de todo o Brasil como o dia nacional de paralisação para influenciar as votações no Congresso – com maioria governista, mas bases divididas – contra as propostas de reformas trabalhista e da Previdência Social. 

Assessoria do Estado

“Nesta manhã (de quarta-feira), a mobilização nacional contra a reforma da previdência paralisou 4,25% das escolas no Estado de São Paulo. Todo o conteúdo perdido será reposto em data a ser determinada pelo Conselho Escolar de cada unidade. Os docentes que não justificarem a falta terão o dia descontado”, informou a Secretaria Estadual da Educação.