Desde 2015 | A informação começa aqui!

Motorista de ônibus que evitou tragédia com alunos da Apae relata momentos de pânico e livramento

Um dia após o grave susto que mobilizou a cidade de Botucatu, a motorista Tatiana de Souza Teixeira, de 41 anos, conversou com o repórter Cristiano Alves, do portal 14News, sobre os momentos de tensão vividos na última sexta-feira. Conduzindo um ônibus do transporte escolar com alunos da Apae, Tatiana precisou tomar uma decisão rápida ao perceber uma falha mecânica no veículo e evitou o que poderia ter sido uma grande tragédia no trânsito local.

O acidente ocorreu na descida da Rua Siqueira Campos, no trecho entre as ruas João Passos e Amando de Barros.

O momento da pane

Segundo o relato de Tatiana, o itinerário seguia dentro da rotina normal no momento em que realizava a troca de turno dos alunos. “Tive um trajeto com ele funcionando muito bem. Mas, em determinado momento, entre a Cardoso e a João Passos, o ônibus teve uma pane e os freios não responderam”, explicou.

Percebendo a gravidade da situação em pleno declive, a prioridade da motorista foi proteger os passageiros e orientar a equipe de bordo.

“Eu tentei ao máximo deixar as crianças tranquilas. Chamei a monitora, que é quem fica mais desprotegida por estar em pé cuidando dos alunos, e falei para ela se segurar porque estávamos com um problema. Pedi que ela mantivesse as crianças calmas”, relatou Tatiana.

Manobra decisiva

Após o ônibus colidir na traseira de um carro que estava parado no sinal da Rua João Passos, o veículo acabou ganhando mais velocidade ao continuar a descida. Diante do risco iminente de descer descontrolado rumo às vias de maior movimento e atingir pedestres ou outros veículos, Tatiana tomou a decisão de direcionar o ônibus contra um poste para alinhar a parada.

“Minha preocupação era com os alunos dentro e as pessoas fora. Nada paga uma vida, todos têm alguém em casa esperando. A descarga de força e o poste foram o que impediram algo pior. Foi a mão de Deus, um grande livramento”, desabafou emocionada.

Apesar do impacto, ninguém sofreu ferimentos graves.

Quebrando barreiras na profissão

Durante a entrevista, o repórter destacou também a repercussão do caso nas redes sociais. Inicialmente, muitos leitores presumiram tratar-se de um motorista homem, ressaltando o machismo ainda presente no setor de transporte pesado.

Com anos de experiência ao volante, Tatiana comentou sobre os desafios e o preconceito enfrentado por mulheres na profissão:

“Na profissão onde atuo, cerca de 90% ainda são homens. As mulheres estão se despertando agora, e ainda encontramos alguma dificuldade e preconceito. Mas nós mostramos que somos capazes em qualquer área. O meu maior objetivo naquele momento era a proteção de todos”, concluiu.

Redacao 14 News

Redacao 14 News

Você pode gostar também