Após os trabalhadores da Reta Rápido Transportes ter anunciado greve para terça-feira, 10/6, uma audiência foi agendada na justiça do trabalho, segundo anunciou em nota a empresa.
NOTA À IMPRENSA – Botucatu, 9 de junho de 2025:
“A Reta Rápido Transportes Ltda informa que, em continuidade às tratativas mantidas com o Sindicato da categoria, foi designada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região uma audiência de conciliação para a próxima sexta-feira, 13 de junho, às 15h. Na ocasião, as partes poderão formalizar as cláusulas do novo Acordo Coletivo de Trabalho”.
“Diante da continuidade das negociações e da mediação em curso pela Justiça do Trabalho, a empresa reforça que qualquer paralisação ou movimento grevista antes da audiência poderá ser considerado ilegal. Assim, a Reta Rápido solicita que todos os colaboradores compareçam normalmente aos seus postos de trabalho nesta terça-feira, 10 de junho”. (Reta Rápido Transportes Ltda).
Manifestação dos trabalhadores:

A reportagem esteve no terminal urbano nesta segunda-feira. Os passageiros estavam apreensivos com a possibilidade de paralisação.
A prefeitura informou que está acompanhando as negociações e montou um plano de contenção para minimizar os impactos de uma possível greve. Na Câmara Municipal, um grupo de motoristas fez uma manifestação. Os vereadores disseram que eles deram mais 24 horas para resolver o assunto, e que até esse prazo, não parariam.
Na manhã de terça-feira, 10/6, todas linhas saíram da garagem e estavam em operação. A expectativa é de paralisação possivelmente na quinta-feira, 12/6.
Veja as linhas de cada empresa:
Dúvidas, reclamações ou sugestões:
156 || (14) 3811-1577 || (14) 3811-1578
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PT EMITIU NOTA SOBRE O CASO
Manifestação Pública em Apoio aos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Botucatu.
A greve anunciada pelos trabalhadores da empresa Reta Rápido, que operam o transporte coletivo em Botucatu, não é apenas um movimento legítimo por melhores condições de trabalho — é um grito por respeito, dignidade e justiça social. É o reflexo direto de um modelo de gestão que despreza o diálogo, marginaliza os trabalhadores e trata o serviço público como mercadoria.
Estamos ao lado dos motoristas, cobradores e demais funcionários que, dia após dia, carregam o peso do transporte urbano em nossa cidade, muitas vezes sem reconhecimento ou valorização à altura da responsabilidade que assumem. Esses trabalhadores não cruzam os braços por luxo ou capricho. O fazem porque foram levados ao limite. Porque, enquanto o custo de vida sobe, o salário estagna. Porque, mesmo diante de reajustes pífios e promessas vazias, o poder público fecha os olhos e se alinha com os interesses da empresa, não com os da classe trabalhadora.
E não é só no tratamento aos trabalhadores que o sistema falha. A população de Botucatu sofre diariamente com uma frota envelhecida, defasada, muitas vezes insegura e desconfortável. A escala de horários é mal planejada, ineficiente e frequentemente descumprida, deixando as pessoas “na mão” — esperando em pontos descobertos, sob sol ou chuva, sem qualquer previsibilidade. Essa realidade penaliza especialmente quem mais depende do transporte público: os trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e moradores das periferias.
É importante dizer com clareza: o arrocho salarial, o descaso com a qualidade do serviço e a ausência de diálogo com a categoria são práticas sistemáticas e avalizadas pela atual administração municipal, a mesma que recentemente impôs ao funcionalismo um reajuste muito abaixo das perdas inflacionárias acumuladas, ignorando as vozes de professores, profissionais da saúde, servidores da limpeza, entre outros que mantêm a cidade funcionando.
Essa gestão trata a cidade como negócio, o povo como número, e os trabalhadores como obstáculo. Privatiza, terceiriza, sucateia e silencia. Nós dizemos: basta.
Nossa visão é radicalmente oposta. Defendemos um transporte público 100% gratuito, moderno, acessível, confortável e seguro, como direito de toda a população, e não como concessão ou favor de quem governa. E isso só será possível se começarmos por valorizar quem faz esse sistema existir: os trabalhadores e trabalhadoras.
Ao lado de um novo projeto de cidade, estamos construindo também um novo projeto de sociedade. Um projeto onde o transporte público é instrumento de inclusão, e onde os direitos trabalhistas não são negociados como mercadoria de segunda categoria. Um projeto onde o povo não é deixado esperando no ponto — é ouvido, respeitado e priorizado.
Toda solidariedade aos trabalhadores do transporte coletivo. Sua luta é legítima. Sua luta é a nossa. E dela nascerá a cidade mais justa que queremos construir: com o povo, para o povo e pelos direitos de quem vive do próprio trabalho. (Domingos Neves é Secretário Geral do PT de Botucatu, candidato à presidência do PT na cidade).





