Algumas mulheres de Botucatu participaram, nesta semana, da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília — um ato histórico que reuniu aproximadamente 300 mil mulheres de todas as regiões do país.
O encontro trouxe vozes potentes para denunciar o racismo, o sexismo e a violência, além de reafirmar a luta por direitos, políticas públicas e dignidade. Um dos pontos altos foi a entrega da Carta da Marcha, documento que expressa as demandas, reivindicações e propostas das mulheres negras brasileiras.
“Nossa cidade marcou presença, somando força e representatividade a esse movimento transformador”, informou o Conselho da Mulher.
Sobre o evento – Uma enorme mulher negra inflável, de 14 metros, com uma faixa presidencial onde se lê “Mulheres Negras Decidem” foi o ponto de partida de centenas de caravanas que integraram a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, na terça-feira (25), rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa era de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.
Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, responsável pela organização do movimento, explicou que não foi fácil chegar até esse dia e quer que a marcha deixe um legado. “A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra.”
A dor das mulheres dessa família é compartilhada por outras mulheres negras. Um tapete, com incontáveis fotos de vítimas da violência em favelas do Rio de Janeiro nos últimos anos, ocupou metros do chão da concentração da marcha. Cada rosto uma história, um caso de violência.
Outra participante da marcha, Daniela Augusto, representa o Movimento Mães de Maio na Baixada Santista, em São Paulo. O grupo foi criado a partir de uma série de chacinas e assassinatos, em 2006.
As vítimas eram, em sua maioria, jovens negros, pobres e moradores de periferias. Estima-se que entre 450 e 600 pessoas tenham sido mortas.
Para Daniela, o Estado brasileiro é o primeiro violador dos jovens negros.
O encerramento da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras reforçou a organização das mulheres afro-brasileiras, afro-latinas e afro-caribenhas. Elas reafirmaram, em Brasília, a luta pela vida sem violência, pela igualdade plena de direitos e oportunidades. E deixaram claro que as pautas são inegociáveis para a construção de um futuro mais justo e democrático. (Com Agência Brasil).







