Praticantes de esporte e fãs de aventura já sonharam em completar o tradicional Caminho da Fé ao menos uma vez na vida. Conduzidos pelas belezas naturais do famoso percurso de peregrinação brasileiro, quatro servidores públicos estaduais percorreram 350 quilômetros de bicicleta, em cinco dias.

Entre eles, o coordenador das unidades prisionais da Região Noroeste (CRN), Carlos Alberto Ferreira de Souza. Os ciclistas partiram de Água da Prata com destino a Aparecida do Norte, passando por cidades mineiras.

    “É difícil. Tem lugares com subidas muito elevadas, por exemplo, onde é preciso empurrar a bicicleta. É um exercício de foco e persistência”, resume Carlos Alberto, que dividiu a experiência com Adriano José Moreira e José Carlos Pereira da Silva, ambos funcionários da Penitenciária “Dr. Orlando Brando Filinto” de Iaras; e João André Collela, diretor de Trabalho e Educação da Penitenciária I “Dr. Walter Faria Pereira de Queiróz” de Pirajuí.

Collela afirma que valeu cada gota de suor. “Tudo compensado pela paisagem e o som das águas rasgando a serra”, cita o diretor, lembrando de um momento de exaustão, ao enfrentar uma subida.

“Olhei para o chão e pedi forças para Deus. Ao levantar a cabeça, vejo uma placa pregada em uma cerca, com os dizeres: ‘você é capaz do que quiser. Deus acredita em você’. Aquilo me deu forças para continuar”, relata Collela. 

PSICOLÓGICO

O grupo enfrentou dias de sol, chuva, poeira e lama, totalizando cerca de 40 horas em cima do selim. Além do esforço físico, o exercício psicológico tem de ser tão intenso quanto o muscular.

“O segredo está na cabeça, por conta das dificuldades. Tiveram trechos, por exemplo, em que foi necessário acionar os dois freios e a bicicleta desceu na estrada igual um esqui. Diante dos desafios, o psicológico faz a diferença”, revela o coordenador da CRN.

ENCONTRO

Durante a aventura, os ciclistas encontraram os irmãos Antônio Roberto da Silva e Aparecido Donizete da Silva, que faziam o trajeto a pé, pela terceira vez.

“Um deles falou: ‘você parece o Carlão, nosso coordenador’. Eu tirei o capacete e disparei: ‘sou eu mesmo’. Os irmãos são funcionários da Penitenciária I de Reginópolis. Muita coincidência”, conta.

“A primeira vez que fizemos o percurso foi para pagar uma promessa. Depois, pegamos gosto pela aventura. Nunca imaginávamos encontrar o Carlão. Mundo pequeno”, define Antônio.

SUPERAÇÃO E VITÓRIA

O desgaste físico é uma realidade para quem encara 350 quilômetros de bike, mas não foi suficiente para fazer o grupo desistir pelo caminho. Os ciclistas chegaram a Aparecida do Norte com a sensação de missão cumprida.

“É gratificante. Um sentimento de conquista, satisfação e vitória, porque a superação é muito grande”, resume o coordenador.

História com a bike começou há apenas 1 ano

Quem ouve as histórias do Caminho da Fé não imagina que o ciclismo entrou na vida de Carlos Alberto há apenas um ano. “Eu sempre pratiquei esportes, como basquete, futebol, corrida e natação. Mas, com o tempo, ficaram sequelas, entre elas artrose nos joelhos”.

Após fazer uma infiltração de colágeno, em 2018, Carlos Alberto foi orientado pelo médico a andar de bicicleta para perder peso e fortalecer a musculatura. “No início de 2019, passei a pedalar, sozinho. Depois, incentivei outras pessoas”, orgulha-se.

Hoje, ele pedala praticamente todos os dias. As distâncias vão de dez a 120 quilômetros em um único dia. “A bike é realmente apaixonante. A evolução foi muito rápida. Já pratiquei tantos outros esportes e não vi em nenhum deles o efeito que acontece com a bicicleta”, finaliza Carlos Alberto.

Vale destacar que diversos servidores de unidades prisionais da Região Noroeste também praticam o ciclismo. Muitos deles, inclusive, já percorreram o Caminho da Fé de bicicleta.